A geração anos 60 e a televisão

Engraçado pensar que as crianças e adolescentes da década de 60 foram criados ouvindo de seus familiares (obviamente não estou  generalizando) que ser artista de televisão, teatro ou circo era coisa de vagabundo ou de puta, um ramo sem futuro prospero que só “desencaminhava” as pessoas e suas famílias, ouço até relatos que era coisa do ‘Diabo’ (risos), vai entender. Hoje vejo exatamente essa mesma geração grudada na telinha, comentando nas redes sociais e principalmente venerando os artistas de uma forma surreal, pra mim, quase inaceitável. Não consigo entender como algo tão trabalhado negativamente tenha sido revertido sorrateiramente pelas emissoras de TV, gostaria de verdade que as mesmas fizessem um trabalho de desconstrução da homofobia e do preconceito racial, mas sei que não é essa a intenção delas, mas “entreter” os telespectadores que se tornam quase zumbis com as tramas macabras das novelas. Sem contar os realites e talk shows que arrebentam de audiência abordando os mais variados assuntos, principalmente os mais polêmicos, mas acho que isso é assunto para um outro texto, por fim o que não entendo é essa babação de uma determinada geração em cima dos artistas de TV, como se fossem grandes deuses, é isso, não consigo entender a lógica !

Mudança de conceito para ser mais feliz

Com certeza um dos textos mais difíceis de escrever, uma auto-análise basicamente. Não sei explicar muito bem porque o ser humano vai contra suas vontades naturais, hoje tenho certeza de que não sou o único, mas isso aconteceu comigo também. Não estão entendo né? Vou explicar, há muitos anos trabalho para uma multinacional, me considero muito feliz com o trabalho que realizo, estar em contato com tantas pessoas legais me faz muito bem e o dia a dia é bem legal também, me considerava satisfeito em vários setores da vida, porém há alguns anos tomei a decisão de que as coisas materiais não me satisfazem plenamente, sim, concordo que ter dinheiro para comprar um carro bacana, comprar um apartamento ou até mesmo ter um barco para levar os amigos no fim de semana é muito divertido, mas estava faltando alguma coisa para mim, estava faltando a minha essência, meus desejos naturais e isso me incomodava a cada dia que passava. Enfim, minha decisão culminou na atitude de apenas trabalhar para juntar dinheiro e viajar o Mundo, isso mesmo, o Mundo, muitos países, aprender com a diversidade cultural e conhecer pessoas diferentes. Mesmo porque os bens materiais citados acima, não preciso obtê-los, posso alugá-los (mas não vou, rsss) e serei feliz do mesmo jeito e com uma vantagem, ter a liberdade. Nessa revolução eu percebi que não precisamos de muitas coisas materiais ou muito dinheiro para ser feliz, mas precisamos assumir nossa essência para estar completamente realizado !

Um litro de água para o carro

Agora no fim da tarde, fui a padaria comprar pão pra tomar com café e quando voltava da padoca notei um senhor lavando seu carro estacionado na rua com apenas uma garrafa de um litro e meio de água na mão, longe de mim ser contra quem tem carro, eu ainda tenho o meu, apesar do pouco uso e do gasto excessivo que ele me dá, mas ainda mantenho ele na garagem, enfim, gostei da atitude do cara, pois não vivemos um bom momento em relação a água em São Paulo e sabemos muito bem os motivos da falta dela, aí penso, o cara deu um excelente exemplo, de que, pode-se ter um carro e não desperdiçar em média 300 litros de água só para lavá-lo, agora estou me sentindo mal por não lavar o meu carro a mais de seis meses, rsssss, vamos encher a garrafinha ?

Vizinha mal humorada

Estou arrumando minha bicicleta na garagem e eis que sai do elevador minha vizinha de porta, muito sorridente ela me cumprimenta:
– Olá tudo bem ?
– Tudo ótimo e você?
– Tudo ótimo? Tudo ótimo é resposta de homem mesmo.
– Não, tudo ótimo é resposta de quem tá feliz ! – respondo já intrigado
– Não, é de homem mesmo ! – responde a vizinha raivosa
Fiquei sem palavras com a raiva que ela estava sentindo de mim. Ok, ela não deve estar num bom dia. Ou talvez ela seja mal humorada desde sempre. Só sei de uma coisa, estou louco para encontrá-la novamente e dizer: “Está tudo óoootimoooo, porque estou feliz pra cacete !”

Vizinho retrógrado

Chego na garagem do meu prédio feliz que estou chegando em casa, entro no elevador e me deparo com um senhor que aparenta uns 60 anos e ele me diz:
– Tudo bem?
– Tudo e o senhor?
– Também, me diz uma coisa, muito transito?
– Como sempre!
– Muita bicicleta atrapalhando né?
– Não senhor. O que atrapalha mesmo são os pensamentos retrógrados.

Três segundos de silêncio ele me olha com cara de assustado e sai um pouco constrangido quando percebe meu capacete preso na mochila e meu colete refletivo!

Eu fico imaginando o próximo assunto que ele vai abordar comigo, com certeza não será a falta de água.

Preconceito arraigado

Participo de um grupo no Facebook da comunidade do bairro que moro (Perdizes) e sempre acompanho as fotos antigas que postam por lá, como se fosse um antes e depois do bairro, é muito legal mesmo, principalmente para mim que ainda estou passando dos 30, encontrar aquela escola que você estudou e saber como está, enfim essas coisas que podem parecer besteira mas para quem está “envelhecendo” começa a ficar legal. Mas essa semana me deparo com um post de um cidadão fazendo um antes e depois da rua onde moro e qual seria a causa? Claro a ‘maldita’ ciclovia do prefeito Haddad, que por lá o chamam de Malldad ! :/
Não sei onde encontram maldade em trazer mais mobilidade para essa enorme cidade, ou será que sei onde encontrar a maldade? Sim claro, a maldade está nas frase absurdamente preconceituosa que destilaram no grupo, como: “O Brasil não tem jeito, vamos devolver para os índios e pedir desculpas…”, ou “Só vejo porteiro andando de barra forte (Barra Forte é um determinado modelo de bike), outra “Conhece uma gatinha, convida pra jantar e vai buscar de bicicleta, coloca ela no cano e vai ser feliz”. Um outro rapaz se exalta um pouco mais: “Não é só porteiro não mano.. tem muitos peões que vão de barra forte…mas o pior são os que colocam o chapéu de jornal, e querem andar no meio transito…” e pra mim essa é a pior de todas: “Puta ciclovia legal…Precisa fazer uma dessa na Pompéia…Quero ver a baianada de barra forte descendo a Pompéia com a gata de ladinho no cano…A mina vai pulando bagarai…Pelo menos ela vai malhar os glúteos na garupa…”.
Desculpem, prolonguei as frases mas é que meu repúdio é tanto que eu tive que colocar a maioria das frases e ainda faço notar o machismo que vem embutido e o preconceito racial que essas pessoas proliferam por ai e passam de geração para geração através de suas piadas sarcásticas e sujas dia após dia. Assim penso morar numa comunidade elitista, preconceituosa e machista. Me sinto triste por isso, na verdade, sinto pelas pessoas que não conseguem aceitar como as outras são, talvez nem elas se aceitem !